Importância da Cultura Organizacional num aporte financeiro Ir para o conteúdo principal

Atualmente, muitas empresas vão em busca de um aporte financeiro com o intuito principal de aumentar suas receitas, expandir seus mercados e buscar novos consumidores.

Empresas em estágio inicial, como startups, geralmente buscam esse aporte financeiro por meio de investidores anjos e incubadoras. Já as empresas de médio porte, antes de dar um salto ainda maior, buscam primeiro novos sócios, que possam ajudar o negócio a se expandir. E por fim, as grandes empresas, como os conglomerados, passam por fusões, aquisições ou oferta pública inicial (IPO) como uma forma de aumentar a lucratividade e consolidar suas marcas.

Independente do tipo ou tamanho da empresa, um investimento gera diversas mudanças estruturais e organizacionais. Por isso, realizar um alinhamento de cultura se faz necessário.

Ou seja, certificar-se que, durante uma fusão ou aquisição, ou a entrada de novos investidores, existam visões e valores organizacionais semelhantes ou até mesmos iguais aos que constituem o seu negócio.

O choque de culturas organizacionais desalinhadas pode gerar muitos conflitos internos, desgastes entre lideranças, falta de engajamento por parte dos colaboradores, não cumprimento de metas pré-estabelecidas e perdas econômicas, que podem levar, até mesmo, à falência de uma empresa.

Daí a importância de realizar uma pesquisa de compatibilidade de culturas antes de receber um aporte financeiro ou passar por um processo de fusão ou aquisição. Isso porque, muitas vezes, quando culturas mais rígidas se fundem com culturas mais flexíveis, existe uma boa chance delas entrarem em conflito.

Culturas mais rígidas valorizam consistência e rotina e se apóiam em processos e normas rigorosos para manter a estrutura organizacional da empresa. Já culturas mais flexíveis são mais fluidas, dinâmicas e incentivam novas ideias.

De acordo com um estudo realizado pelos pesquisadores Michele Gelfand, Sarah Gordon, Chengguang Li, Virginia Choi e Piotr Prokopowicz que analisou mais de 4.500 fusões internacionais em empresas de 32 países entre 1989 e 2013 revela que a fusão de culturas rígidas com fluídas reduziu em 200 milhões de dólares o lucro líquido por ano. As empresas com incompatibilidade culturais ainda maiores tiveram uma redução do seu lucro líquido em mais 600 milhões de dólares.

Choque entre culturas organizacionais para além dos números

Para além dos números divulgados pelos pesquisadores, um dos casos mais emblemáticos entre choque de culturas foi a aquisição da Whole Foods pela Amazon por 13.7 bilhões de dólares em 2017. A compra permitiria que a Amazon pudesse crescer além do e-commerce, operando em centenas de lojas físicas. Já a Whole Foods conseguiria diminuir seus preços e alcançar um público ainda maior.

Porém, a compra da Whole Foods pela Amazon é um dos casos em que culturas mais rígidas encontram culturas mais flexíveis. A Amazon é conhecida por uma estrutura organizacional com hierarquias sólidas, em que se é exigido dos colaboradores um determinado tipo de comportamento e a performance é avaliada constantemente.

Já a Whole Foods, primeiro supermercado estadunidense orgânico certificado, antes do processo de aquisição, possuía uma cultura mais flexível, com uma estrutura igualitária organizada em torno de times autogerenciáveis, o que permitia aos funcionários um alto poder de decisão sobre os processos da empresa.

Porém, com a chegada da gigante do e-commerce, os colaboradores da Whole Foods tiveram que adaptar-se a uma cultura organizacional totalmente diferente, tendo que lidar com um sistema de métricas usado para punir e até demitir funcionários. Muitos clientes da rede de supermercados orgânico também foram afetados e muitos deles se sentiram insatisfeitos com as lojas mal abastecidas.

E não são só grandes multinacionais que sofrem com a incompatibilidade de culturas após aportes financeiros, ou fusões e aquisições, como o caso da Amazon e Whole Foods, mas também empreendedores e micro-empresas.

Muitos empreendedores chegam ao Instituto Mudita com problemas relacionados à falta de alinhamento cultural após a chegada de um novo investidor ou sócio. Negócios com um alto potencial de crescimento passaram a apresentar estagnação por conta da chegada de culturas mais rígidas e burocráticas e a não adaptação por parte dos colaboradores.

Além disso, alguns empreendedores até mesmo deixaram de se identificar com os propósitos e valores da própria empresa após um aporte financeiro.

Mas, como evitar que esse choque cultural afete o seu negócio?

Alinhamento cultural

O alinhamento cultural é imprescindível para que um investimento, fusão ou aquisição impacte positivamente o futuro de um negócio. É importante saber que fusões e aquisições podem sim gerar bons resultados, aumentar o engajamento dos colaboradores, bem como a lucratividade da empresa e a expansão de sua marca.

O primeiro passo é realizar uma pesquisa de compatibilidade entre as culturas em questão, ou sobre a personalidade do sócio/investidor e seus investimentos anteriores. Feito isso, é momento de avaliar se essa compatibilidade, ainda que pequena, vai de encontro ao que o empreendedor espera para o futuro do seu negócio, não somente em termos financeiros, mas também em termos culturais, estruturais e organizacionais.

No momento da transição, caso ela seja feita, o segundo passo é colocar a cultura organizacional em primeiro lugar, com as lideranças de ambos lados preparadas para criar um plano de integração das culturas que beneficie os colaboradores de ambas as partes e o negócio como um todo.

Daí a importância de fazer uma avaliação cultural para entender como as práticas culturais de cada empresa são refletidas e quais delas os funcionários são mais adaptáveis e receptíveis. Além disso, quais práticas podem ser abandonadas e quais delas irão, de fato, contribuir para o crescimento do negócio.

Realizado o plano de integração, o terceiro passo é abordar os distanciamentos culturais por meio de workshops, processos de mentorias e consultorias, visando a construção de lideranças com senso de propósito que possam implementar e disseminar a nova cultura organizacional.

É fundamental que os gaps culturais também sejam preenchidos por meio de processos de imersão cultural por parte dos colaboradores, que podem ser realizados com a ajuda de jornadas de experiência e através de um trabalho de acolhimento para que os profissionais tenham espaço e possam criar confiança no novo grupo, sócio ou investidor que está chegando.

Um caso bem sucedido de aquisição entre uma cultura mais rígida com uma mais flexível foi a compra da Pixar pela Disney em 2006. A segunda, com uma cultura mais rígida, concordou em criar certas normas para que a primeira não perdesse a sua cultura mais flexível. Assim, os colaboradores da Pixar não foram obrigados a assinar contratos de trabalho com a Disney, bem como não tiveram que realizar mudanças no ambiente de trabalho, seguindo com comportamentos mais flexíveis adquiridos antes da aquisição. Os pontos positivos foram maiores que os pontos negativos e um plano de integração foi crucial para que a aquisição funcionasse.

O alinhamento de cultura não é um processo fácil, mas com o apoio do Instituto Mudita, especializado em unir diferentes talentos em prol de propósitos maiores, através de Culturas que unificam e direcionam, pode ser realizado de maneira eficaz, beneficiando a todos nesse processo e trazendo o retorno esperado pelos empreendedores.

Nós podemos te ajudar a lidar com o contexto de uma possível aquisição/fusão ou entrada de um novo sócio.

Saiba mais acessando a parte “Consultorias” no menu ou agende uma reunião pelo WhatsApp 011 99785-4331.

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